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    O gênio da lâmpada e a comunicação dirigida


    2009 - 11.17

    gênio da lâmpada e a comunicação dirigida

    29 de janeiro de 2009, 20:25

    A marca que não fizer comunicações dirigidas para cada um de seus públicos estará condenada à pior das maldições: ficar esquecida para sempre. Se o gênio da lâmpada aparecesse hoje, teria que mudar o discurso padrão.

    Por Eco Moliterno

    A era da comunicação de massa já era.

    Basta ver que termos como “horário nobre” perderam toda a sua nobreza com a evolução das mídias fragmentadas – como internet e celular – em que as pessoas são impactadas a qualquer hora, de qualquer lugar. Assim, o “um por todos” cada vez mais dará lugar ao “todos por um”, fazendo com que ações “focais” se tornem – em tempos de crise – tão importantes quanto as virais. E muito mais rentáveis.

    Afinal, o poder passou de uma vez por todas para as mãos do consumidor, cada vez menos receptivo às publicidades “tradicionais”. Ele agora quer interagir com a mensagem, alterar o conteúdo, fazer sua própria versão e convidar os amigos para ver o resultado. Deixou de ser apenas um número nos relatórios de audiência para ter nome e endereço completos. E sentindo sua importância crescer, muitas vezes ousa até desafiar as próprias marcas.

    Fico imaginando, por exemplo, como seria a receptividade ao gênio da lâmpada nos dias de hoje. O “consumidor moderno” provavelmente duvidaria bastante da tal mega oferta dos três pedidos. E, principalmente, teria uma imensa dificuldade para engolir aquele discurso genérico padrão – já que, hoje em dia, cada consumidor pode responder aos estímulos de uma forma diferente.

    Acho que seria mais ou menos assim:

    1. O desafiador

    - Nossa, é o que eu estou pensando? Deixa eu esfregar esse troço pra ver se…

    - Ó meu amo! Obrigado por me libertar!

    - Não acredito! É o gênio da lâmpada!!!

    - Eu mesmo, ó meu novo senhor! E em retribuição por ter me libertado de séculos de sofrimento, concedo-lhe o direito de fazer três pedidos, ó meu amo.

    - Jura? De verdade???

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Então, antes de mais nada, me esclarece uma dúvida: por que te chamam de “gênio da lâmpada” se esse troço de onde você sai não tem nada a ver com uma lâmpada?

    - Bom, ó meu amo e senhor… na época em que fui aprisionado, ainda iluminavam os cômodos dos palácios com recipientes assim cheios de óleo incandescente…

    - Sorte sua: com essa barriguinha aí, você ia sofrer muito mais pra entrar em uma lâmpada incandescente dos dias de hoje… Isso se não te obrigassem a entrar em uma fluorescente…

    - Mas, graças ao meu novo amo e senhor, eu…

    - Primeiro pedido: para de me chamar assim. Pode ser?

    - Pedido concedido, ó meu… brou.

    - Isso, bem melhor assim. Agora me esclarece uma outra dúvida: e se eu pedir algo impossível de ser realizado?

    - Eu farei o possível e o impossível para poder lhe retribuir o favor, ó meu nego.

    - E se for um pedido que você não pode realizar de jeito nenhum?

    - Eu posso realizar qualquer pedido, ó meu chapa.

    - Ah é?

    - Hum-hum.

    - Então agora eu quero ver: desejo saber quantos anos tem a Glória Maria.

    2. O capitalista

    - Três desejos? Posso pedir qualquer coisa, né?

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Então vamos lá, sem perder tempo. Pedido nº 1: quero que o meu número de pedidos seja multiplicado por 1 milhão.

    - Mas, meu amo… Apesar de ser eternamente grato ao senhor, poderei realizar somente três deles…

    - Tudo bem, sem problemas. Realiza esse meu desejo então?

    - Desejo realizado, ó meu novo amo e senhor.

    - Perfeito. Pedido nº 2: quero que todos os meus pedidos sejam realizados em dobro.

    - Mas, meu amo… não sei se…

    - Não pode qualquer coisa? Não é isso que tá no contrato?

    - Sim meu amo, mas…

    - Então, não tem o que discutir. Pode realizar, senão te processo.

    - Está certo. Desejo realizado, ó meu novo amo e senhor.

    - Falta mais um, né? Vamos lá: desejo que, a partir de hoje, eu passe a ocupar o seu lugar.

    - Mas, meu amo… aí o que seria de mim?

    - Não se preocupe. Você passa a trabalhar como meu assistente e, em troca, te dou 10% dos pedidos realizados. Fechado?

    3. O economista

    - Só três pedidos?

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Eu não posso parcelar em mais vezes?

    - Creio que não, ó meu novo amo e senhor.

    - Mas quando esse valor vai ser reajustado?

    - Temo que não haverá reajustes, ó meu novo amo e senhor.

    - Hmmm, entendi… Política de contenção de gastos, né?

    - Mas o senhor pode pedir o que quiser, e farei de tudo para realizar qualquer um de seus desejos, ó meu novo amo e senhor.

    - Então posso gastar só um pedido agora e guardar os outros dois?

    - Bom, geralmente eu costumo realizar todos os pedidos de uma vez só, ó meu novo amo e senhor…

    - Mas eu preferia estudar melhor o mercado de desejos antes… Analisar todos os riscos com calma, e fazer um estudo mais apurado, sabe? É que você me pegou meio desprevenido…

    - Tudo bem, ó meu novo amo e senhor. Se esse é o seu desejo, assim será: faça um pedido agora e realizarei os outros dois quando o senhor assim desejar.

    - Legal! Posso pedir?

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Desejo passar um dia dentro da cabeça do Barack Obama.

    4. O desconfiado

    - Por que três pedidos? O que eu fiz pra merecer isso?

    - Me libertou de uma maldição que me obrigou a passar séculos preso dentro dessa lâmpada, ó meu novo amo e senhor.

    - Lâmpada? Que lâmpada? Eu só dei uma chacoalhadinha nesse suporte de molho de salada para ver se ele ainda tava cheio…

    - Mas esse seu gesto acabou com minha interminável agonia, e agora me sinto obrigado a retribuí-lo, ó meu novo amo e senhor.

    - Que papinho mais estranho esse, hein? Me chamando de “amo”, querendo me agradar…O que você tá querendo em troca, hein?

    - Não quero nada. Quero apenas realizar três dos seus desejos como forma de gratidão por ter me livrado dessa maldição, ó meu novo amo e senhor.

    - Isso tá me cheirando a golpe… Quando a esmola é muita…

    - O que eu posso fazer para provar que desejo apenas gratificá-lo, ó meu novo amo e senhor?

    - Você jura POR DEUS que não vai pedir nada em troca? Jura?

    - Posso jurar por Alá, ó meu novo amo e senhor.

    - Então ajoelha aqui na minha frente e jura.

    - Mas, meu amo… eu não tenho pernas…

    - Sabia! Impostor sempre tem umas desculpinhas esfarrapadas.

    5. O sádico

    - Ó meu novo amo e senhor! Em retribuição por ter me libertado de uma maldição que me condenara a séculos de sofrimento, concedo-lhe o direito de realizar três desejos.

    - Três? Precisa não. Um só já é suficiente.

    - Como quiser, meu novo amo e senhor. E qual seria esse desejo?

    - Quero que você volte lá pra dentro.

    6. A masoquista

    - Ó minha nova ama e senhora! Em retribuição por ter me libertado de séculos de aprisionamento, concedo-lhe o direito de realizar três desejos.

    - Muito obrigada querido, mas só quero uma coisinha simples…

    - Assim como desejar, ó minha nova ama e senhora. E qual seria esse único pedido?

    - Me bate!

    Ou seja, brincadeiras à parte, a marca que não fizer comunicações dirigidas para cada um de seus públicos estará condenada à pior das maldições: ficar esquecida para sempre.

    E não precisa ser nenhum gênio para chegar a essa conclusão. [Webinsider]

    O gênio da lâmpada e a comunicação dirigida


    2009 - 01.30

    gênio da lâmpada e a comunicação dirigida

    29 de janeiro de 2009, 20:25

    A marca que não fizer comunicações dirigidas para cada um de seus públicos estará condenada à pior das maldições: ficar esquecida para sempre. Se o gênio da lâmpada aparecesse hoje, teria que mudar o discurso padrão.

    Por Eco Moliterno

    A era da comunicação de massa já era.

    Basta ver que termos como “horário nobre” perderam toda a sua nobreza com a evolução das mídias fragmentadas – como internet e celular – em que as pessoas são impactadas a qualquer hora, de qualquer lugar. Assim, o “um por todos” cada vez mais dará lugar ao “todos por um”, fazendo com que ações “focais” se tornem – em tempos de crise – tão importantes quanto as virais. E muito mais rentáveis.

    Afinal, o poder passou de uma vez por todas para as mãos do consumidor, cada vez menos receptivo às publicidades “tradicionais”. Ele agora quer interagir com a mensagem, alterar o conteúdo, fazer sua própria versão e convidar os amigos para ver o resultado. Deixou de ser apenas um número nos relatórios de audiência para ter nome e endereço completos. E sentindo sua importância crescer, muitas vezes ousa até desafiar as próprias marcas.

    Fico imaginando, por exemplo, como seria a receptividade ao gênio da lâmpada nos dias de hoje. O “consumidor moderno” provavelmente duvidaria bastante da tal mega oferta dos três pedidos. E, principalmente, teria uma imensa dificuldade para engolir aquele discurso genérico padrão – já que, hoje em dia, cada consumidor pode responder aos estímulos de uma forma diferente.

    Acho que seria mais ou menos assim:

    1. O desafiador

    - Nossa, é o que eu estou pensando? Deixa eu esfregar esse troço pra ver se…

    - Ó meu amo! Obrigado por me libertar!

    - Não acredito! É o gênio da lâmpada!!!

    - Eu mesmo, ó meu novo senhor! E em retribuição por ter me libertado de séculos de sofrimento, concedo-lhe o direito de fazer três pedidos, ó meu amo.

    - Jura? De verdade???

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Então, antes de mais nada, me esclarece uma dúvida: por que te chamam de “gênio da lâmpada” se esse troço de onde você sai não tem nada a ver com uma lâmpada?

    - Bom, ó meu amo e senhor… na época em que fui aprisionado, ainda iluminavam os cômodos dos palácios com recipientes assim cheios de óleo incandescente…

    - Sorte sua: com essa barriguinha aí, você ia sofrer muito mais pra entrar em uma lâmpada incandescente dos dias de hoje… Isso se não te obrigassem a entrar em uma fluorescente…

    - Mas, graças ao meu novo amo e senhor, eu…

    - Primeiro pedido: para de me chamar assim. Pode ser?

    - Pedido concedido, ó meu… brou.

    - Isso, bem melhor assim. Agora me esclarece uma outra dúvida: e se eu pedir algo impossível de ser realizado?

    - Eu farei o possível e o impossível para poder lhe retribuir o favor, ó meu nego.

    - E se for um pedido que você não pode realizar de jeito nenhum?

    - Eu posso realizar qualquer pedido, ó meu chapa.

    - Ah é?

    - Hum-hum.

    - Então agora eu quero ver: desejo saber quantos anos tem a Glória Maria.

    2. O capitalista

    - Três desejos? Posso pedir qualquer coisa, né?

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Então vamos lá, sem perder tempo. Pedido nº 1: quero que o meu número de pedidos seja multiplicado por 1 milhão.

    - Mas, meu amo… Apesar de ser eternamente grato ao senhor, poderei realizar somente três deles…

    - Tudo bem, sem problemas. Realiza esse meu desejo então?

    - Desejo realizado, ó meu novo amo e senhor.

    - Perfeito. Pedido nº 2: quero que todos os meus pedidos sejam realizados em dobro.

    - Mas, meu amo… não sei se…

    - Não pode qualquer coisa? Não é isso que tá no contrato?

    - Sim meu amo, mas…

    - Então, não tem o que discutir. Pode realizar, senão te processo.

    - Está certo. Desejo realizado, ó meu novo amo e senhor.

    - Falta mais um, né? Vamos lá: desejo que, a partir de hoje, eu passe a ocupar o seu lugar.

    - Mas, meu amo… aí o que seria de mim?

    - Não se preocupe. Você passa a trabalhar como meu assistente e, em troca, te dou 10% dos pedidos realizados. Fechado?

    3. O economista

    - Só três pedidos?

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Eu não posso parcelar em mais vezes?

    - Creio que não, ó meu novo amo e senhor.

    - Mas quando esse valor vai ser reajustado?

    - Temo que não haverá reajustes, ó meu novo amo e senhor.

    - Hmmm, entendi… Política de contenção de gastos, né?

    - Mas o senhor pode pedir o que quiser, e farei de tudo para realizar qualquer um de seus desejos, ó meu novo amo e senhor.

    - Então posso gastar só um pedido agora e guardar os outros dois?

    - Bom, geralmente eu costumo realizar todos os pedidos de uma vez só, ó meu novo amo e senhor…

    - Mas eu preferia estudar melhor o mercado de desejos antes… Analisar todos os riscos com calma, e fazer um estudo mais apurado, sabe? É que você me pegou meio desprevenido…

    - Tudo bem, ó meu novo amo e senhor. Se esse é o seu desejo, assim será: faça um pedido agora e realizarei os outros dois quando o senhor assim desejar.

    - Legal! Posso pedir?

    - Sim, ó meu novo amo e senhor.

    - Desejo passar um dia dentro da cabeça do Barack Obama.

    4. O desconfiado

    - Por que três pedidos? O que eu fiz pra merecer isso?

    - Me libertou de uma maldição que me obrigou a passar séculos preso dentro dessa lâmpada, ó meu novo amo e senhor.

    - Lâmpada? Que lâmpada? Eu só dei uma chacoalhadinha nesse suporte de molho de salada para ver se ele ainda tava cheio…

    - Mas esse seu gesto acabou com minha interminável agonia, e agora me sinto obrigado a retribuí-lo, ó meu novo amo e senhor.

    - Que papinho mais estranho esse, hein? Me chamando de “amo”, querendo me agradar…O que você tá querendo em troca, hein?

    - Não quero nada. Quero apenas realizar três dos seus desejos como forma de gratidão por ter me livrado dessa maldição, ó meu novo amo e senhor.

    - Isso tá me cheirando a golpe… Quando a esmola é muita…

    - O que eu posso fazer para provar que desejo apenas gratificá-lo, ó meu novo amo e senhor?

    - Você jura POR DEUS que não vai pedir nada em troca? Jura?

    - Posso jurar por Alá, ó meu novo amo e senhor.

    - Então ajoelha aqui na minha frente e jura.

    - Mas, meu amo… eu não tenho pernas…

    - Sabia! Impostor sempre tem umas desculpinhas esfarrapadas.

    5. O sádico

    - Ó meu novo amo e senhor! Em retribuição por ter me libertado de uma maldição que me condenara a séculos de sofrimento, concedo-lhe o direito de realizar três desejos.

    - Três? Precisa não. Um só já é suficiente.

    - Como quiser, meu novo amo e senhor. E qual seria esse desejo?

    - Quero que você volte lá pra dentro.

    6. A masoquista

    - Ó minha nova ama e senhora! Em retribuição por ter me libertado de séculos de aprisionamento, concedo-lhe o direito de realizar três desejos.

    - Muito obrigada querido, mas só quero uma coisinha simples…

    - Assim como desejar, ó minha nova ama e senhora. E qual seria esse único pedido?

    - Me bate!

    Ou seja, brincadeiras à parte, a marca que não fizer comunicações dirigidas para cada um de seus públicos estará condenada à pior das maldições: ficar esquecida para sempre.

    E não precisa ser nenhum gênio para chegar a essa conclusão. [Webinsider]